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Mulheres, dinheiro e crowdfunding | Central da Vaquinha

Mulheres arrecadam mais dinheiro com crowdfunding do que os homens por causa forma com que as criadoras falam com os visitantes da campanha, de acordo com o estudo do Professor Andreea Gorbatai.

As mulheres geralmente usam palavras que transmitem emoções positivas – por exemplo, “animado” e “feliz” – e de inclusão – como preferindo o pronome “nós” e palavras como “juntos”. Esse tipo de linguagem está associada às campanhas de crowdfunding que arrecadaram mais dinheiro, diz Andreea.

“Usando uma linguagem inclusiva, a mulher constrói esse vínculo de confiança, onde você sente que elas não estão tentando tomar o seu dinheiro e sim que elas estão incluindo você neste empreendimento”, diz Andreea.

Para sua pesquisa, o professor analisou 9.943 campanhas na plataforma de crowdfunding baseada em San Francisco, Indiegogo (uma plataforma americana), que decorreu entre 02 de fevereiro de 2010 e 25 de dezembro de 2013. Aproximadamente dois terços das campanhas estudados eram relacionadas a pequenos negócios e o restante eram de tecnologia.

Para isolar o efeito que a linguagem tem sobre a quantidade de dinheiro que uma campanha de crowdfunding arrecada, Andreea usou uma “técnica de correspondência exata”, com o qual iria estudar duas campanhas que fossem arrecadando a mesma quantidade de dinheiro por um objetivo semelhante ao longo de um mesmo período e a única diferença era que uma seria dirigida por uma mulher e a outra por um homem. Para efeitos do estudo, uma campanha é considerada um sucesso em detrimento de outro se ela arrecadar mais dinheiro.

Arrecadação Online x Offline

O fato dessas campanhas de crowdfunding organizadas por mulheres arrecadarem mais dinheiro do que as dirigidas por homens vai contra a maioria das outras dinâmicas de captação de recursos do gênero. “Formas de captação de recursos online representam um quebra-cabeça empírico interessante: as mulheres são sistematicamente mais sucesso do que os homens, um resultado contrário ao offline onde há desigualdade de gênero”, escreve ele. Por exemplo, os fundos de capital de risco tendem a ser predominantemente distribuídos pelos homens a outros homens, Andreea aponta em seu estudo.

Para ser claro, os investidores (contribuidores) de campanhas de crowdfunding têm motivações diferentes do que os investidores tradicionais. Enquanto os investidores tradicionais predominantemente colocam seu dinheiro em projetos que são esperados para ter retorno financeiro positivo, investidores de crowdfunding “dão dinheiro a fim de apoiar projetos que valorizam por razões sociais ou que tenham ver com seus valores (morais)”. Essa é uma razão pela qual a linguagem desempenha um papel tão importante. Aqueles que procuram dinheiro via crowdfunding precisam convencer potenciais investidores do valor moral e sociológico de sua causa. E eles devem fazê-lo muitas vezes, sem o cara a cara que há nas relações offline, é tudo virtual.

Andreea apresentou suas descobertas em um documento de trabalho intitulado, “The Narrative Advantage: Gender and the Language of Crowdfunding.” (em tradução livre “A Vantagem da Narrativa. Género e Linguagem do Crowdfunding”).

Texto original em https://www.entrepreneur.com/article/270580

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